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Vazamento de Dados Pessoais Sensíveis expõe membros da família Bolsonaro e pessoas ligadas a eles

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Vazamento de Dados Pessoais Sensíveis expõe membros da família Bolsonaro e pessoas ligadas a eles

Por: Léo Farias

Na noite da última segunda-feira (01/jun), membros da família Bolsonaro, incluindo o próprio presidente, alguns ministros, aliados e suas respectivas famílias, foram expostos a partir de vazamentos de dados pessoais e dados pessoais sensíveis. O grupo hacktivista que assumiu a autoria da ação é conhecido como Anonymous Brasil.

Foto: Eduardo Bolsonaro (Twitter, 2015)

Este grupo atua de maneira descentralizada através de várias células, em vários países, sendo atribuído a este o motivo da facilidade de se manterem no anonimato. Sua origem aponta para um fórum conhecido com 4Chan, embora atualmente membros do grupo neguem relação com este fórum, já que ele se posicionou como de extrema direita. Para mostrar a união, o grupo passou a se identificar com a máscara inspirada no filme V de Vingança, em homenagem ao soldado histórico Guy Fawkes. (YAHOO, 2020).

Através de perfis no Twitter, os dados pessoais e dados pessoais sensíveis que foram publicados pelo Anonymous Brasil incluem: endereços residenciais, CPFs, telefones, dados de cartões de crédito e informações sobre imóveis da família Bolsonaro. Os membros que foram vítima desses vazamentos incluem, além do presidente, seus filhos Carlos, Eduardo e Flávio, a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, o empresário Luciano Hang e o deputado estadual Douglas Garcia (PSL-SP).

Alguns usuários do Twitter fizeram afirmações que conseguiram adquirir aparelhos como iPhone 11 e MacBook através compras ilícitas com os dados dos cartões, e as palavras mais comentadas nesta rede social, por um período, foram iPhone 11 e MacBook. A hashtag “#vazaram” também foi utilizada por estes usuários para tornarem públicas as suas afirmações de compras.

Como se não bastassem as compras feitas com o cartão de crédito corporativo do Presidente Bolsonaro, algumas pessoas também filiaram o presidente ao Partido dos Trabalhadores (PT), usando seu CPF. Contudo, as inscrições foram barradas pelo partido.

Em clara medida de intimidação o movimento hacktivista ‘Anonymous Brasil’ divulgou, em conta do Twitter, dados do Presidente da República e familiares. Medidas legais estão em andamento, para que tais crimes, não passem impunes

Jair Messias Bolsonaro, através de sua conta no Facebook.

Além do Presidente, outras vítimas e autoridades também se manifestaram através de suas mídias sociais.

O ataque é uma “clara tentativa de intimidação” e que “medidas legais estão em andamento”.

Vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), através de sua conta no Twitter.

Anonymous Brasil, de forma criminosa, acaba de divulgar todos os meus dados nas redes sociais. Para que colocar os meus familiares em risco? Para que divulgar o endereço de minha casa? Os lugares em que trabalhei? Estou indo agora mesmo na delegacia fazer um boletim de ocorrência.

Deputado Estadual Douglas Garcia (PSL-SP)

Determinei à PF a abertura de inquérito para investigar vazamento de informações pessoais do presidente Jair Bolsonaro, seus familiares e demais autoridades. As investigações devem apurar crimes previstos no Código Penal, na Lei de Segurança Nacional e na Lei das Organizações Criminosas.

Ministro André Mendonça, via Twitter

Os vazamentos dos dados supracitados apenas expuseram uma fragilidade que é crônica em nosso país. E a lógica é que se nem o Presidente da República conseguiu estar a salvo de hackers, mesmo contando com plena disponibilidade de recursos financeiros, tecnológicos e humanos, dirá o usuário comum.

Em um passado recente, o Brasil já foi vítima de vazamentos de dados pessoais e dados pessoais sensíveis como o caso do Wikileaks, que tornou público a captura de dados de autoridades brasileiras através de agentes norte-americanos. E, em 2013, o próprio Edward Snowden mostrou novamente que tais práticas perduravam (VEJA, 2020). Infelizmente, a lição não foi aprendida.

Segundo o relatório desenvolvido pela Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Congresso, os valores atuais investidos na segurança cibernética não chegam a um terço do necessário para garantir a intransponibilidade dos serviços de informação do Brasil. A consultoria japonesa Trend Micro, afirma que o Brasil é um dos países com maior fragilidade a ataques de hackers (VEJA, 2020).

Em meio a toda essa turbulência, eis que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) fica em evidência novamente, embora esta ainda encontre-se em vacatio legis, ela poderá entrar em vigor agora, em agosto, a depender das tramitações políticas.

Com multas previstas de até R$ 50 milhões, o arcabouço jurídico-regulatório da LGPD em coexistência com o arcabouço normativo-técnico da Norma ABNT NBR ISO/IEC 27701 fará com que as organizações busquem estar em compliance e conformidade com estes. E, servirá de suporte para que todas as empresas públicas ou privadas identifiquem e implementem controles eficazes de proteção e privacidade de dados pessoais e dados pessoais sensíveis.

Cabe ressaltar que tais esforços devem ser realizados por estas organizações a fim de garantirem uma abordagem geral de privacy by design e privacy by default. E que um processo de avaliação de riscos de proteção e privacidade de dados seja aplicado continuamente, de modo a identificar os riscos associados à perda de confidencialidade, integridade e disponibilidade dentro dos escopos dos seus Sistemas de Gestão da Privacidade da Informação (SGPIs) e/ou Sistemas de Gestão da Segurança da Informação (SGSIs).

Ficou com dúvidas sobre a LGPD? Entre em contato conosco!

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Referências Bibliográficas

CORREIO BRAZILIENSE. Grupo divulga dados sigilosos de Bolsonaro, dos filhos e de ministros. Disponível em: <https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2020/06/01/interna_politica,860170/grupo-divulga-dados-sigilosos-de-bolsonaro-dos-filhos-e-de-ministros.shtml?utm_source=onesignal>. Acesso em: 4 jun. 2020.

ESTADO DE MINAS. Anonymous Brasil: Internautas relatam compras com cartão de crédito de Bolsonaro após vazamento de dados. Disponível em: <https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2020/06/02/interna_politica,1153083/anonymous-brasil-internautas-dados-compras-cartao-credito-bolsonaro.shtml>. Acesso em: 4 jun. 2020.

ISTO É DINHEIRO. Carlos Bolsonaro admite vazamento de dados e fala em ‘tentativa de intimidação’. Disponível em: <https://www.istoedinheiro.com.br/carlos-bolsonaro-admite-vazamento-de-dados-e-fala-em-tentativa-de-intimidacao/>. Acesso em: 4 jun. 2020.

O GLOBO; GULLINO, Daniel. Bolsonaro diz que vazamento é ‘intimidação’ e promete ‘medidas legais’. Disponível em: <https://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-diz-que-vazamento-intimidacao-promete-medidas-legais-24458509>. Acesso em: 4 jun. 2020.

VEJA. Vazamento de dados de Bolsonaro expõe uma fragilidade crônica do Brasil. Disponível em: <https://veja.abril.com.br/economia/vazamento-de-dados-de-bolsonaro-expoe-uma-fragilidade-cronica-do-brasil/>. Acesso em: 4 jun. 2020.

YAHOO; WAKKA, Wagner. Anonymous | Tudo sobre o grupo que vazou supostos dados do presidente Bolsonaro. Disponível em: <https://br.financas.yahoo.com/noticias/anonymous-tudo-sobre-o-grupo-235529770.html>. Acesso em: 4 jun. 2020.

 

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